sexta-feira, 31 de julho de 2009

Palavras


Articulamos letras e expelimos palavras dentro de uma lógica frásica, estabelecemos conversas, discussões, rebentamos emoções. Mas, há vezes em que as palavras apenas saem de um movimento involuntário, esvoaçam até estilhaçar os olhos, alentam o coração, pesam na cabeça e desenrolam momentos de silêncio. Silêncio barulhento que nos incomoda e abre páginas em branco pela noite fora. Este talvez seja um dos sintomas mais evidentes da " dor que desatina sem doer".
As palavras gerem a vida. Um "sim" ou um "não", três simples letras com um valor desigual, geram movimentos opostos nas nossas vidas. Palavras comprometem, responsabilizam, identificam, desvendam, mentem, oferecem,... Não escapando os "não" que escondem um "sim", ou vice-versa.
Hoje, apercebi-me da importância das palavras, como de uma pequena conversa nasce uma grande amizade, como de um simples comentário surge uma batalha, como de um "sim" nos comprometemos. Hoje, apercebi-me que o mundo gira em torno de palavras, de gestos, de atitudes.
Hoje... quis parar de pensar, mas na verdade, só consegui parar de falar.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Bomba relógio



Letra de Sérgio Godinho, cantado por Cristina Branco

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A efemeridade das coisas.




Sopro... não sopro... !?

O vulgarmente conhecido por,Dente de Leão, tem uma vida efémera, mas a sua vida algo é significativa, as suas sementes disseminam-se facilmente ao tom do vento e germinam em outros lugares.

Não controlamos a efemeridade das nossas vidas mas temos poder sob as nossas acções... decidimos entre ter um porto seguro, algo a preservar, e de repente deixar que tudo se dissemine no ar como pequenas partículas esvoaçantes.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Passos em volta


Quando sentimos que temos todo o nosso ser sob um fio, quando para trás temos um porto seguro e para a frente temos uma infinidade de possibilidades.
Procuramos...
... Manter o equilíbrio para não tombar para os lados (na indecisão do lado a optar) , para não ficar suspenso. Porque nem sempre temos uma rede segura que nos agarre e proteja.
... Respirar para não entrar em pânico, para sentir tranquilidade e procurar algo que nos ajude a colocar pé ante pé sobre o fio.
... Olhar para a frente com assertividade, porque se olharmos para baixo perdemos a confiança, ganhamos o medo e lembramo-nos do caos calmo que vivemos naquele preciso momento.


Quem não se sentiu um dia, com a certeza de que ia tombar, mas não sabia para que lado?


Quem não ficou um dia suspenso?


Quem não reclama o caos calmo da sua vida?
Por entre os "recortes do tempo" que vasculho na caixa de sapatos, surge num post-it verde a frase
"Quem quer arranja Maneira, Quem Não quer arranja Desculpa."
recorda a ladainha " Agora não que eu acho que não posso"
recorda o "Vão sem mim que eu vou lá ter"
o "Agora sim, damos a volta a isto"
o " Estou aqui, abre a porta"
P.S.: Obrigada.

domingo, 14 de junho de 2009

A verdadeira rezinguice

Hoje vou dedicar um curto espaço de tempo para falar de rezinguice. Muito bem! , rezinguice, é a capacidade ou o acto de ser rezinga. Mas o que é ser rezinga?
Sabem aquelas pessoas que num espaço de 10 minutos, nem tanto, não evitam dizer o quanto odeiam, o quanto menosprezam a vizinha, o colega, ou um ou outro indivíduo que simplesmente tem um modo de vida, um pouco... vamos-lhe chamar de..."diferente"!? Ou aquelas pessoas que estão no seu ritual de café depois do almoço ou do jantar e têm a delicadeza de criticar minuciosamente a empregada que vem com muita simpatia servi-las à mesa. Ou o café está demasiado queimado, ou o pires está vergonhosamente encharcado de café, ou a antipatia e rudez com que colocou as coisas em cima da mesa (que, por acaso estava suja e peganhenta), ou porque naquele dia vinha mal aprontada... e portanto, como não podia deixar de ser, estes factos devem ser observados e explicitamente comentados, não sejam os rezingas portugueses. Português que é português não tolera estes pequenos pormenores ( pequenos, como quem diz!)!!
Isto para não entrar na conversa da condução nas estradas portuguesas, na qual entrariam os passeios de Domingo à tarde, em que as pessoas gostam de tirar o carro da garagem e irritar pessoas que até são bem intencionadas e com bom coração, mas que quebram a paciência com a lentidão da marcha, com o "parvalhão" que não passou no amarelo e as fez ficar mais um minuto parado no sinal vermelho (amigos, tempo é dinheiro, há que compreender), ou o "tal" que decidiu colocar-se em marcha de passerelle na passadeira ( mais vulgarmente conhecida como passagem de peões). Não entremos por aí...Porque quando se fala em Domingo, vem à memória as cerimónias matinais e religiosas que fazem com que o despertador toque mais cedo para que marquemos a presença num local em que toda a gente da aldeia se encontra, e convive no final. Este "convive no final" implica falar mal da filha da Maria que ontem chegou a casa às 6 da madrugada, falar mal da Ti Glória, que coitadinha criou os filhos e agora só lhe querem a fortuna, entre outras... Isto é tudo aquilo que um padre deseja depois de "orar às suas ovelhas"!
E já se perdeu o conceito de rezinga no meio destas "piquenas" observações... Mas rezinga que é rezinga está no meio desta gente do corte e costura e não consegue, um segundo sequer, estar bem com o mundo, porque o seu dever de estar sempre atento aos erros dos outros é demasiado importante.